Sociedade Alternativa
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Sociedade Alternativa

Sociedade Alternativa faz parte de uma filosofia, defendida por Raul Seixas, baseada nos Escritos do ocultista Aleister Crowley: “Fazes o que tu queres, pois será a lei.”

O escritor ocultista britânico Aleister Crowley influenciou muito Raul Seixas,(especialmente em suas composições). Assim como Paulo Coelho, escritor e autor de best sellers, que por sinal era parceiro musical de Raul. Os dois fundaram a Sociedade Alternativa na década de 1970. A Sociedade Alternativa é uma utopia idealizada por Raul Seixas, e jamais realizada até hoje.

“Sociedade alternativa, Sociedade novo aeon, É um sapato em cada pé, É direito de ser ateu, Ou de ter fé, Ter prato entupido de comida, Que você mais gosta, É ser carregado, ou carregar gente nas costas, Direito de ter riso de prazer, E até direito de deixar, Jesus Sofrer”

Novo Aeon (Raul Seixas)
 

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Sociedade Alternativa

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A Sociedade Alternativa foi algo muito discutido no Brasil enquanto Raul Seixas estava no auge de sua meteórica carreira. Até os dias de hoje pessoas almejam alcançar essa sociedade. Infelizmente, o que ela tem de fama, tem de escassez teórica. Na realidade, nem Raul Seixas sabia explicar direito o que era essa tal Sociedade Alternativa. Talvez fosse como ele dizia na música: “Eu que já vivi pelos quatro cantos do mundo, foi justamente num sonho que ele me falou!”

Tudo começou em 1971, quando Raul Seixas conheceu Paulo Coelho, hoje autor brasileiro best-seller mundial. Raul tomou a iniciativa de procurá-lo, ao ler um artigo sobre discos voadores numa revista alternativa que Paulo Coelho dirigia, chamada “A Pomba”. Tornaram-se amigos, sendo que Coelho se tornaria o maior parceiro musical de Raul, ajudando a compor clássicos como “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” e “Gita.”

Ainda em 1971, no mês de setembro, fundaram a Sociedade Alternativa, que se originou a partir de divagações místico-filosóficas da dupla. Procuravam, cada um à sua maneira, um caminho alternativo – caminho próprio e pleno, um caminho que o establishment nunca poderia oferecer. Como base desses pensamentos ganhou força entre ambos a obra de um dos maiores estudiosos do ocultismo do século XX, Aleister Crowley.

Crowley nasceu na Inglaterra em 1875 e é largamente considerado um dos maiores estudiosos do ocultismo e dos assuntos esotéricos contemporâneos. Foi um menino prodígio: aos 4 anos de idade lia a Bíblia em voz alta. Dedicou sua vida ao estudo das assim denominadas ciências ocultas e deixou vasta obra teórica, onde tenta mostrar como desenvolver e entrar em contato com uma forma especial de energia interior que denominou “Sagrado Anjo Guardião” ou, em inglês, “Holy Guardian Angel”. O Objetivo do Mago que busca contato com tal energia é nada menos que usá-la produtivamente para modificar por completo sua vida.

Dentre outros métodos ele procurou desenvolver essas energias através de ritos sexuais, parcialmente inspirados nas práticas orientais tântricas do hinduísmo e do budismo, práticas estas que operam na contra-mão da ortodoxia religiosa. Isto é, práticas rituais operadas através de atos que poderiam ser considerados heresias na maioria dos outros contextos – como o próprio sexo, ou o consumo de carne. Estas energias no entanto só poderiam ser totalmente liberadas com a chegada da Nova Era, período iminente em que as leis sociais seriam definitivamente rompidas para que todos pudessem finalmente viver em plenitude.

Para desvincular-se de preconceitos religiosos, Crowley se auto-intitulava a Grande Besta 666, fato que gerou imensas controvérsias durante sua vida, sendo ele alvo de constante difamação pelos tablóides ingleses, reconhecidamente exagerados, para não dizer caluniosos. Se tal atitude “anticristã” seria controversa até mesmo no presente, que dizer do início do século, imensamente mais conservador, cheio de tabus e de irracionalidade religiosa. Durante toda a sua vida Aleister lutou para popularizar o esoterismo, revelando, por diversas vezes, segredos de seitas fechadas, afirmando que o conhecimento é livre, e assim deve permanecer – o que não o tornou exatamente popular entre muitos dos seguidores dessas seitas que o consideraram um traidor de juramentos, alguns chegando a advogar as mais severas punições físicas em resposta a seu “crime” e sua “traição”.

No vídeo “Raul Seixas também é documento” do diretor Paulo Severo, Raul diz numa entrevista que “…se você não está na Sociedade Alternativa, a Sociedade Alternativa sempre esteve dentro de você. A Sociedade Alternativa foi um… eu pertencia a uma sociedade esotérica na época, em 74, que me deu um terreno em Minas Gerais pra eu construir uma cidade chamada Cidade das Estrelas, onde o advogado era o não-advogado, o policial era o não-policial, os conceitos, valores trocados, né? Uma organização nova… daí o pessoal bateu no meu ombro disse, ‘ô, dá um pulinho lá fora, pô guri…’ isso era 74, Geisel, né?”

Sonhar nunca custou nada – e sonhar é uma das maiores virtudes do homem. Raulzito não se importou em sonhar. Sonhou sonhos multicores com a Sociedade Alternativa, mesmo que o mundo ao seu redor lhe dissesse que essa linda utopia era inatingível. Kika Seixas, ex-mulher de Raul que mantém ligação direta com a obra do artista, define a Sociedade Alternativa como sendo apenas um sonho, mais um ponto de vista do público do que dele mesmo.

Kika lembra que certa vez magoou muito Raul, dizendo: “Isso aí é um papo completamente impossível, que Sociedade Alternativa é essa cara?, como é que você quer criar algo, em que base, o que é isso, que palhaçada é essa? Sociedade Alternativa porra nenhuma, você não é capaz de gerir a sua própria vida, a sua família”. Ela lembra ainda que o músico ficou arrasado naquele dia.

O Livro da Lei

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A obra de Aleister Crowley que mais se destaca é “The Book Of The Law” (O Livro da Lei). Esse foi o texto fundador da Sociedade Alternativa, que é a expressão da vontade de ver as idéias de Crowley sendo postas em prática.

O Livro da Lei foi publicado apenas uma vez no Brasil, em 1976 , mas foi misteriosamente retirado de circulação. Hoje só encontramos publicações em inglês e espanhol, em livrarias especializadas em esoterismo. Normalmente os círculos de pessoas interessadas em misticismo têm um certo receio da obra e Crowley. Isso se justifica: essa profunda identificação de Crowley com a Verdadeira Tradição não deixa margem a que as correntes ligadas ao obscurantismo absorvessem e neutralizassem sua força. Como no caso da figura do diabo, Crowley foi identificado ao longo deste século com o Maligno, destruidor, perigoso, etc.., mas a verdade é que ele próprio induziu a que tudo isso acontecesse para que o escândalo divulgasse sua obra.

O contato com as idéias do Livro da Lei, marcariam a carreira de Raul Seixas para sempre. Não importa o trabalho de Raul que peguemos a partir daí, sempre encontraremos uma influência filosófica e mística no pensamento do compositor.

A mais clara e famosas dessas referencias foi a célebre canção “Sociedade Alternativa”, onde várias frases do livro são citadas. A mais conhecida: “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei.”

No final da música, composta por Raul e Paulo Coelho em 1974, eles avisam: “O número 666 chama-se Aleister Crowley.”

Não só essa música, mas todo o álbum “Gita” continha uma série de referencias as idéias e vida de Crowley, como por exemplo a música “Loteria da Babilônia” que fala sobre ser um jogador de xadrez, saber techos da Biblia e invenção de baralhos, possivelmente de Tarô. O nome do disco é uma homenagem ao livro sagrado dos indianos, e a música “O Trem das Sete” também está repleta de citações.

Na canção, Raul usa como alegoria um trem que passava em sua cidade durante a infância. Esse trem passará para buscar os iluminados já aptos a entrar na Era de Aquário. A letra diz: “Vê, é o sinal das trombetas dos anjos e dos guardiões, lá vem Deus deslizando no céu entre Brumas de mil megatons, e o mal vem de braços e abraços com o bem num romance astral.”

Esse seriam os sinais de que o trem estaria chegando e quem quisesse poderia embarcar, já que: “não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem.”

Em 1975, Raul anuncia a Nova Era lançando o disco “Novo Aeon”, uma outra denominação da mesma Era de Aquário. Em 1976 um dos maiores sucessos de Raul “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” também com citações a Nova Era. Observe-se que, pela mística, há dez mil anos atrás nós estávamos na era de Leão-Aquário, que é diametralmente oposta à nova era de Aquário-Leão que agora está sendo buscada.

A música “Love Is Magick” é inspirada nas idéias de Crowley, que chamava seu conhecimento do ocultismo de magick, com “k”, para diferenciá-lo de outras disciplinas.

No seu penúltimo álbum, “A Pedra do Gênesis”, de 1988, Raul reafirma-se crowleyano na canção “Lei”, que, apesar de constar nos créditos como sua, é, da primeira à última linha, uma transcrição fiel de uma das páginas mais conhecidas de Crowley.

Liber OZ

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Este texto é a introdução clássica ao famoso Livro da Lei de Aleister Crowley. Foi escrito em 1904.

No item 5 o verbo diz “Quereriam”, ou seja: Poderiam Querer. Na verdade , ninguém pode ou consegue contrariar o direito de quem exerce sua verdadeira vontade. Tudo se refere a um processo de crescimento interior. No entanto , o próprio Raul Seixas recitava o texto de forma errada, gravando-o inclusive na música A Lei (do LP A Pedra do Gênesis), dizendo: Todo homem tem o direito de matar todos aqueles que contrariarem esses direitos. Isso dá margem a perigosas interpretações para quem desconhece estes detalhes.

A Cidade das Estrelas

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O lastro teórico da Sociedade Alternativa era, basicamente, os textos de Crowley e as letras de Raul Seixas e Paulo Coelho. Existe uma ausência de material documental que explique como fazer para chegar a ser um cidadão dessa Sociedade Alternativa, por isso, diversas interpretações foram sendo feitas. Falta material coerente para definir o que seria a Sociedade Alternativa, mesmo assim, muitos raul-seixistas continuam sonhando com a chamada Cidade das Estrelas.

Na realidade, a intenção de Raul não era fundar uma comunidade, tinha que ser algo anárquico, mais espiritual do que material. Dessa forma estaríamos de acordo com Crowley, que defendia uma revolução interna do ser humano, que não tinha nada ver com construção de cidades concretas. A Sociedade Alternativa seria apenas a reunião de todos aqueles que estivessem preparados para entrar na Era de Aquário, ou seja, embarcar no Trem das Sete.

Exílio nos Estados Unidos

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Roberto Menescal, músico e amigo de Raul conta uma história que ilustra a ingenuidade da dupla que pretendia trazer boas novas ao mundo com a sua Sociedade Alternativa. Em 1974, Raul e Paulo Coelho receberam um convite do porta-voz do general Erneto Geisel, que dizia querer maiores informações sobre a Sociedade Alternativa. Segundo Menescal, ficaram na maior alegria quando receberam o comunicado, porque realmente acreditavam que o governo militar queria discutir com eles suas idéias. Fizeram então diversos contatos com assessores do governo militar, o resultado dessa confiança traduziu-se em buscas ilegais em seus apartamentos, prisão e posterior exílio nos Estados Unidos. Os jornais da época falavam que Raul tinha ido para os Estados Unidos bater um papo com John Lennon. A história do exílio só estourou nos anos 80, quando se podia falar um pouco do que aconteceu na época.

Segundo Raul, ele foi torturado para poder dizer os nomes das pessoas que faziam parte da Sociedade Alternativa, que segundo Geisel, era um movimento revolucionário contra o governo. Então Raulzito resolveu mentir, dizendo que tinha pacto com o demônio ao invés de dizer que tinha parte com a revolução.

Em uma entrevista, Raul disse o seguinte: “Literalmente é choque no saco. Fui torturado mesmo no governo Geisel. Me pegaram no Aterro do Flamengo, me botaram uma carapuça e fiquei três dias num lugar desconhecido. Aí vieram três pessoas: um bonzinho, outro mais inteligente – que fazia as perguntas – e um mais ‘agreste’, mais violento. Depois me colocaram num aeroporto e fui direto para o Greenwich Village (bairro nova-iorquino)”

O Imprimatur

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Apesar da falta de teoria, a Sociedade Alternativa tinha seu selo, uma espécie de logotipo. O Imprimatur, que em latim significa imprima-se. Na Igreja Católica Apostólica Romana, essa expressão significa a liberação para publicação, após a aprovação de uma autoridade eclesiástica, de um livro sobre assunto teológico ou moral previamente censurado.

Este selo pode ser identificado nas capas dos discos “Krig-Há, Bandolo!”, “Gita”, “Novo Aeon” e “Há Dez Mil Anos Atrás”. A expressão Sociedade Alternativa – Imprimatur está escrita com letras góticas, à moda da cultura medieval. No centro do logo, vemos a representação de uma cruz que é uma variação da chamada cruz Ansata, um hieróglifo egípcio que significa vida e busca de conhecimento e evolução. Na parte inferior da cruz, vemos dois pequenos degraus que transformam a cruz numa chave, que nos abrirá para o mundo.

Cruz Ansata

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A cruz Ansata (ou Ankh) pode ser facilmente encontrada em toda a literatura que mostra a pictografia egípcia. Para eles, era a Cruz da Vida. Representava ainda o Laço da Sandália do peregrino, do buscador, daquele que quer evoluir, aprender, crescer. Em muitas pinturas egípcias, o deus (o sol) está com seus braços colocando esta cruz no nariz das pessoas. Corresponde ao Sopro da Vida ( um idéia semelhante a criação de Adão, na Cosmogonia Cristã). É também um símbolo da unidade entre o Ser Masculino e Feminino no Cosmos. No selo da Sociedade Alternativa, a cruz Ansata aparece com dois degrauzinhos em baixo, simbolizando tanto os degraus da iniciação, quanto dando forma de um Chave. Evidentemente a chave de todas as portas. A chave da Sociedade Alternativa. A chave da Vida.

Uma Vida sem Regras

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Raul Seixas não se preocupou em elaborar informações concretas sobre a Sociedade Alternativa, isso só iria criar ainda mais regras, o que seria um contra-senso. O Maluco Beleza defendia a liberdade acima de tudo, onde cada um poderia fazer o que quiser. Uma sociedade contendo regras, seu próprio dinheiro, documentos não tem nada de alternativa e Raul Seixas não defendia a criação de uma sociedade nesses meios, e sim uma revolução interna do ser humano. Uma sociedade livre, porque quanto maior o número de regras, menor a chance de alguém se tornar uma metamorfose ambulante.

Segundo Raul, valia pena continuar sonhando com a Nova Era, já que estamos vivendo num mundo caótico e as coisas sempre acabam mudando.

Em uma entrevista em 1986, o grão-vizir do rock brasileiro declara: “A Sociedade Alternativa continua vigorando o tempo todo não importa de que maneira. São alternativas concretas mesmo, que têm de solidificar. Mas não mais com palavras, nem com porta-estandarte… até fui preso por causa disso.”

Numa outra entrevista, desta vez em março de 1987, Raul fala o seguinte sobre a Sociedade Alternativa:

“Ela sempre existiu, desde o tempo do Egito antigo. Inclusive o filósofo e estudioso Aleister Crowley, que é o papa maior dessa entidade, se baseou nos papiros egípcios (não aquele em que eu fumei maconha. Esses, cá entre nós, deviam ser muito mais gostosos), uma coisa de Osiris, Iris e Horus – pai, mãe e filho. Ele descobriu um segredo terrível por lá.”

“Eu não sei que segredo era esse, porque eu era neófito. Só na quarta iniciação eles contavam o segredo (risos). Por isso eu disse que nunca começou, nem nunca terminou a Sociedade Alternativa. Vi que meu ponto de vista não estava muito longe da AA(Astrum Argentum). E sempre será. Não adianta mentir, mistificar.”

Manifesto

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O texto que segue abaixo está no manifesto/gibi A Fundação Krig-Ha, , distribuído no primeiro show de Raul em SP em 1973. Escrito por Raul e Paulo Coelho, entre outras pessoas, esse manifesto lança a idéia de Sociedade Alternativa. No ano seguinte, todas as cópias desse manifesto seriam recolhidos pela Polícia Federal e queimados como “material subversivo”. Raul foi preso e torturado pelo “Dops” e é “convidado” a se retirar do país, retornando ao Brasil pouco mais tarde devido ao sucesso de seu disco “Gita”

Prefácio

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Nós vos saudamos, Maria. Nós Vos Saudamos José. E nós saudamos os artistas brasileiros que tiveram o

Manifesto

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1 – O espaço é livre. Todos tem direito de ocupar seu espaço.

2 – O tempo é livre. Todos tem que viver em seu tempo, e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.

3 – A colheita é livre. Todos tem direito de colher e se alimentar do trigo da criação.

4 – A semente é livre. Todos tem o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.

5 – Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.

6 – “Todos nós” somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e careta, sábios e loucos.

7 – E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.

Saudação final do 11o manifesto.

Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.

Escrito por: Raul Seixas, Paulo Coelho, Sylvio Passos, Christina Oiticica, Toninho Buda, Ed Cavalcanti.

A Humanidade

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Quando indagado sobre a evolução da humanidade, Raul Seixas responde:

“Essa é uma pergunta que exige muita reflexão. Tem um livro meu de metafísica em que questiono a tese aristotélica das cinco perguntas básicas: porque, quem, onde, como, qual… Não existem perguntas porque não existem respostas. Não existem respostas porque não existem perguntas. Eu não pergunto absolutamente mais nada. As coisas são, e pronto. Nós seres humanos, somos verbos. Somos e estamos, é única coisa que a gente sabe. Conjecturar, quem há de? E é bonito assumir essa coisa de somente ser… Está todo mundo perguntando até hoje e ninguém tem resposta. Mas ser por ser é bom, torna a vida mais leve e menos violenta. Se todo mundo pensasse assim, as coisas certamente seriam mais fáceis….”

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