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Sex Pistols – o mito

E como falar de punk sem falar de um de seus criadores??

never mind the bollocks, here is the sex pistols!

O começo

Homem-chave na propagação do punk rock na Inglaterra, Malcom McLaren, hoje um senhor de 61 anos mais preocupado com a produção do disco da top model Christie Turlington. A história de McLaren começa a ficar interessante em 71, quando abriu a Let It Rock, uma loja de roupas para a nova geração de teddy boys – os filhotes das gangues originais, surgidas nos idos de 53. Desde então, McLaren tornou-se uma celebridade entre músicos e modernos londrinos.

Em 1973, os integrantes da banda protopunk New York Dolls entram na Let It Rock. O visual da banda (uma mistura de glitter e sadomasoquismo) conquista McLaren e ele vira seu empresário. Em Nova Iorque, percebe o quanto os New York Dolls estavam datados e deixa o barco.

Apesar de renegar os Dolls, o empresário trouxe uma ideia brilhante dos Estados Unidos. Depois de perceber que o que valia no mundo do rock, em 75, era muito mais a atitude do que o som, McLaren decidiu construir uma banda segundo seus novos padrões.

Mais uma vez em Londres, reassume sua loja – agora chamada SEX – e transforma-a no epicentro do terramoto que sacudiria o mundo pop, ajudado pela estilista Vivienne Westwood. Segundo o próprio McLaren, criou os Sex Pistols.

Reunir os quatro Pistols foi fácil: Steve Jones e Paul Cook (respectivamente guitarrista e baterista) viviam na SEX. Glen Matlock – baixista e balconista da loja aos sábados – foi convocado imediatamente. Faltava escolher o vocalista.

Depois de descartar o crítico Nick Kent e o cantor Richard Hell para a vaga, a banda experimenta um velho freqüentador do sítio, um adolescente de dentes podres chamado John Lydon. O teste é feito na loja, com o vocalista a cantar numa jukebox. Johnny, que nunca tinha cantado na vida antes, foi aprovado pela sua postura e comportamento anti-social, em resumo, era perfeito para a vaga. Os ensaios começam. Agora a banda chama-se Sex Pistols e John Lydon vira Johnny Rotten (literalmente, Joãozinho Podre).

O primeiro show acontece em 6 de novembro de 1975, um fiasco inevitável dado o despreparo da banda.

O movimento se alastra

Paralelamente ao início dos Pistols, dezenas de bandas começam a seguir o estilo, sobretudo em Londres. A epidemia alastrou-se rapidamente. O motivo para tanta rapidez era simples: estava na hora de renegar a mesmice dos paleolíticos rockstars da época. Não por acaso, um jovem chamado Joe Strummer – sim, o vocalista do The Clash – resolveu acabar com seu velho grupo, o 101’ers, depois de dividir o palco de um pequeno festival com o Sex Pistols. O grupo The Clash foi formado em 24 horas, em 76. Depois de um encontro no mercado de rua de Portobello Road, Mick Jones (guitarra), Paul Simonon (baixo) e Strummer já começaram a ensaiar. Achar o baterista Terry Chimes foi apenas questão de tempo. Logo, os Pistols tinham com quem dividir as parcas luzes do circuito punk londrino.

O movimento crescia a cada dia e bandas não paravam de surgir – entre elas The Damned, the Stranglers, Siouxsie & The Banshees, Generation X (que contava com um vocalista endiabrado chamado Billy Idol)-, mas até meados de 1976 nenhum disco havia sido lançado. O primeiro compacto punk saiu em 5 de novembro do mesmo ano, “New Rose” (The Damned). Pouco antes, em 8 de outubro, os Pistols assinam o histórico contrato com a EMI – a gravadora dos Beatles, The Animals e The Mamas & The Papas, entre muitos outros.

Um mês depois, chega às lojas o histórico compacto “Anarchy In The U.K.”. A porrada acertou o alvo – o caquético império britânico e seus valores -, mas não derrubou por completo o adversário. Os Pistols ainda eram apenas conhecidos apenas no gueto de onde surgiram.

Mas a televisão encarregou-se de levar o punk aos púdicos lares ingleses. No dia 1 de dezembro de 76, Siouxsie, os Pistols e outros punks são os astros de um dos programas de maior audiência da TV inglesa, levado ao ar às cinco da tarde, a famosa hora do chá, na qual famílias concentram-se frente à TV. Depois do programa, dois milhões de britânicos passam a amar ou odiar os Sex Pistols. Motivo: pela primeira vez na história, a expressão “Fuck Off” (foda-se) é dita diante das câmeras. O protagonista da história só podia ser Johnny Rotten.

Melhor golpe de marketing impossível. A imprensa caiu de pau no episódio, detonando os Pistols por completo e, de quebra, levando o movimento às primeiras páginas de todos os jornais. Dez mil cópias de “Anarchy In The U.K.” são vendidas diariamente. Contudo os Pistols são chutados da EMI em 6 de janeiro de 77.

1977: O ano do punk

Glen Matlock nunca se deu bem com Johnny Rotten, apesar de ser considerado por muitos o melhor músico do grupo. Em fevereiro de 77 as brigas encresparam – sobretudo no que se referia às suas diferenças políticas – e Matlock é enxotado. A saída do baixista motivou a entrada daquele que viria a ser o maior símbolo do punk rock em todos os tempos, Sid Vicious.

O melhor amigo de Rotten era um baixista sofrível que mal conseguia tocar, por estar o tempo todo chapado com drogas de todo o tipo. Contudo, sua performance ao vivo e sua personalidade autodestrutiva deram o toque final na fórmula do grupo. Vicious dá trabalho desde o início: num dos primeiros ensaios, passa mal e é levado as pressas para o hospital. Diagnóstico: hepatite causada pelo alto consumo de álcool e drogas, é claro.

Apesar de terem cancelado dezenas de shows, os Pistols logo assinaram um contrato com a gravadora A & M, e aproveitando o jubileu de prata da rainha Elisabeth II, quando completou 25 anos no poder da Inglaterra, a banda solta o compacto de “God Save The Queen”. A canção trazia uma das máximas do movimento punk: “Não há futuro na Inglaterra.”

Em março, foi a vez da A & M despedir o grupo. Os motivos foram exatamente os mesmos da EMI, mas desta vez os quatro Pistols e McLaren embolsaram cerca de 75 mil dólares cada um. Dois meses depois, a Virgin contratou a banda.

Enfim, o grupo achara a gravadora perfeita. Dirigida por Richard Branson – um jovem milionário excêntrico e quase tão maluco quanto os músicos que contratara-, a Virgin banca todas as brigas dos Pistols, inclusive o veto da BBC a “God Save The Queen”. Numa das raras entrevistas dadas pelos Pistols na época, Johnny Rotten explica a revolta de sua banda: “A música precisa dar assistência a todo esse lixo (a sociedade britânica). A música tem que mostrar saídas para se vencer a estagnação. Ela tem que ser verdadeira mas também bem-humorada. E isso não é política.”

O compacto chegou à terceira posição na parada britânica enquanto a banda preparava seu tão aguardado álbum de estréia, que acabou sendo lançado em 12 de novembro: “Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols” (“Abaixo aos idiotas, aqui estão os Sex Pistols”). Então, de repente, a Inglaterra ficou pequena para o punk rock.

O último tiro dos Pistols

Mais uma vez os pioneiros são os Pistols. A banda foi para os Estados Unidos em janeiro de 78 e encontra o país no auge da febre disco, apesar da aceitação do punk entre alguns poucos nova-iorquinos. O visto de permanência no país valia apenas dezesseis dias, o que força a banda a fazer uma miniturnê em ritmo de maratona. Ela passa por Atlanta, Dallas, Tulsa e finalmente chega ao berço do psicodelismo, San Francisco.

No dia 14 de janeiro os Pistols fazem seu último show, para uma platéia de 5500 pessoas. Quatro dias depois, no restaurante do hotel onde a banda estava hospedada, em San Francisco, Paul Cook e Steve Jones dizem a Rotten que querem acabar com a banda. Pior: McLaren pensava o mesmo. O vocalista subiu até o quarto do empresário. Lá, ouviu Mclaren confirmar a história e ainda expulsá-lo da banda, sob a acusação de ser responsável pelo fracasso de vários projetos do grupo – entre eles a famosa visita ao assaltante Ronald Biggs no Rio de Janeiro, feita por Cook e Jones pouco tempo depois. Onde estava Sid Vicious enquanto sua banda chegava ao fim? Internado num hospital, recuperando-se de um porre homérico.

Depois do desmantelamento dos Pistols, o baixista ainda gravou algumas canções com Cook e Jones, como a absurda versão de “My Way” e “Belsen Was A Gas”, incluídas no filme e disco The Great Rock N’Roll Swindle.

Vicious iniciou então uma carreira solo, acabada numa cela de cadeia. O baixista foi preso pelo assassinato de sua namorada Nancy Spungen, em 11 de outubro de 78. O fato nunca ficou totalmente esclarecido: o corpo esfaqueado foi achado num quarto de hotel, com Sid completamente chapado de heroína ao seu lado.

O baixista foi preso imediatamente e só saiu da cadeia depois que a Virgin bancou uma fiança de 50 mil dólares. Em 2 de fevereiro de 79, menos de 24 horas depois de sua libertação, Vicious sofre uma overdose de heroína no banheiro da casa de sua mãe durante uma festa. Aos 21 anos, estava morto o homem-símbolo do punk rock.

Malcom McLaren, Paul Cook e Steve Jones chegavam a Nova Iorque poucas horas depois, ironicamente com a intenção de manter Vicious longe da heroína. “Não creio que Sid morreu por causa dos problemas com os Pistols. O que eu não entendo é como as pessoas que estavam com ele na festa o deixaram consumir heroína”, disse Mclaren a Melody Maker, dias depois da morte do baixista.

O engodo assumido The Great Rock N’ Roll Swindle só veio para colocar um ponto final no mito Sex Pistols. Tanto o disco quanto o filme são obras erráticas, que valem apenas pelo registro de algumas das imagens – sonoras e visuais – mais importantes da história do punk. Na seqüência em que Vicious canta “My Way” e estoura os miolos da platéia de velhinhos que o assiste está resumida a história dos Pistols – um coquetel molotov que arrasou a Inglaterra e mudou para sempre a história do rock.

Relançamento de “Never Mind The Bullocks”

Em 14 de Setembro de 2007, os integrantes da formação original do Sex Pistols (Johnny Rotten, Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock) anunciam sua volta aos palcos em apresentação única. O show de dia 8 de novembro de 2007, na Brixton Academy, Londres, com o objetivo de comemorar os 30 anos do álbum “Never Mind The Bollocks” e também o realizar seu relançamento.

Frases

“Eu não preciso de um Rolls-Royce, eu não preciso de uma casa no campo, eu não tenho que morar na França. Eu não tenho heróis do rock. Eles são desnecessários. Os Stones e o The Who não significam nada para mim; eles estão estabilizados. Os Stones são mais um negócio do que uma banda.” Johnny Rotten (Dezembro de 1976)

“A música precisa dar assistência a todo esse lixo (a sociedade britânica). A música tem que mostrar saídas para se vencer a estagnação. Ela tem que ser verdadeira mas também bem-humorada. E isso não é política.” Johhny Rotten (explicando a revolta da sua banda)

“…Never Mind The Bollocks, todos concordam, é um dos melhores discos do século XX.” Pete Townshend (Guitarista do The Who /Q Magazine – junho/96)

“Os Sex Pistols pertencem a um grupo muito seleto de artistas, que podem afirmar com convicção haverem mudado o mundo.” The Independent (24/06/96)

“Não creio que Sid morreu por causa dos problemas com os Pistols. O que eu não entendo é como as pessoas que estava com ele na festa o deixaram consumir heroína.” Malcom Mclaren (Melody Maker / dias depois da morte do baixista)

“Eu acho que o Clash vende tantos discos por que estão sempre na TV e nos jornais falando sobre o movimento punk… Então os jornais falam bastante de seus discos, e estes vendem.” Malcom McLaren (Sounds/junho/76)

“Eu ouvi o quanto vocês gostam de Dolly Parton aqui… Vocês ainda comemoram o aniversário do Elvis Presley?” Johnny Rotten (na turnê americana de 78)

“O rock n’roll está acabado, você não entende? Os Sex Pistols acabaram com o rock, eles são a última banda de rock n’roll” Johnny Rotten

“Não há futuro para o sonho brasileiro” Johnny Rotten (1996 – mudando a letra de “God Save The Queen”, no show em São Paulo)

“Eu quero ser um anarquista em São Paulo” Johnny Rotten (1996 – mudando a letra de “Anarchy In The U.K.”, no show em São Paulo)

“O punk sempre foi decepcionante! E sempre será. Sempre” Johnny Rotten (1996)

“A única mensagem que temos para passar é a de que os Sex Pistols são a coisa “real”. Somos a melhor banda punk… Esqueça o punk, isso não existe mais. Somos a melhor banda de rock de todos os tempos.” Steve Jones (1996)

“Punks eram as aparelhagens de som que nos davam para tocar e o público bêbado e idiota.” Glen Matlock (1996)

“O punk nasceu de uma maneira bem pouco musical. Eu estava andando com minha camiseta ‘Eu odeio Pink Floyd‘ e fui convidado para ir à loja Sex de Malcom e Vivienne. Como não sabia cantar, fiz mímicas de uma música do Alice Cooper.” Johnny Rotten (no livro “Rotten – No Irish, No Black, No Dogs”)

“Nós inventamos o punk. Nós dizemos como as coisas são.” Johnny Rotten (1996)

“Nossa atitude de quebrar tudo só vai durar até quando estivermos tão velhos quanto o Pete Townshend, fazendo rock só pelo dinheiro.” Paul Cook (1976)

“Nós encontramos uma causa comum (para voltar), o dinheiro. Não preciso realmente disso, mas um pouco mais, por que não? É um assalto a luz do dia.” Johnny Rotten (1996)

Toda vez que alguém diz que alguma coisa é sagrada e não deve ser tocada, eu quero tocá-la.” Johnny Rotten (1996)

“O Sex Pistols nunca terminou propriamente, simplesmente fracassou.” Johnny Rotten (1996)

“Pode ser porque todos somos londrinos, mas os Sex Pistols não teriam existido sem esta velha e querida cidade de Londres” Johnny Rotten (2007)

Integrantes

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Discografia

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Filmografia

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  • The Great Rock And Roll Swindle
  • The filthy and the fury (O lixo e a fúria)
  • Filthy Lucre Live
  • Sid and Nancy (o amor mata)

Uma resposta to “Sex Pistols – o mito”

  1. WOW…
    Que puta blog hein…
    Muito bom…
    Continue instrindo o povo inculto!!!


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